Uberização dos Bancos

No mês passado, o Open Banking Working Group (OBWG) do Reino Unido publicou um relatório recomendando a criação do Open Banking Standard, norma que estabelece que os dados bancários dos clientes devem ser compartilhados e usados de forma segura pelos bancos.

O OBWG é um grupo formado por profissionais de bancos, vendors e startups de fintech, criado em 2015 pelo Tesouro Nacional do Reino Unido, com o objetivo de explorar como os dados podem ajudar as pessoas a poupar, tomar empréstimos e investir o seu dinheiro de forma mais vantajosa.

Com o Open Banking Standard, o cliente poderá permitir que qualquer empresa de serviços financeiros tenha acesso aos seus dados bancários e, assim, seja capaz de oferecer uma solução financeira customizada para o seu perfil. Tudo de forma ágil, simples e sem a necessidade de papéis e documentos. Com isso, o cliente terá maior liberdade de escolha e haverá mais competitividade e incentivo à inovação no setor bancário.

Com a implementação da norma, uma pessoa será capaz de centralizar todas as informações sobre suas finanças de diferentes instituições financeiras em um único painel de controle, onde ela poderá analisar todas as suas receitas e despesas e receber recomendações imparciais de como gerenciar melhor o seu dinheiro.
De fato, essa centralização das informações financeiras já é possível através dos apps de PFMs (Personal Financial Management) – no Brasil temos o GuiaBolso – e os bancos tradicionais vêm, no mundo todo, batendo bastante nessas soluções nos últimos anos. Agora, com a Open Banking Standard, os bancos terão que aceitar essa realidade e a se adaptar a ela.

Será muito mais fácil trocar de banco, pois o tempo de onboarding será reduzido a uma assinatura (ou um clique num documento digital). Isso também significa que o seu novo banco já conhecerá bastante sobre você e, por isso, você terá mais facilidade para adquirir um empréstimo, um cartão de crédito ou financiamento de longo prazo, sem precisar ficar sujeito à apresentação de intermináveis documentos e comprovantes.

A norma será boa para os bancos também. Além de reduzir custos administrativos, eles serão capazes de oferecer uma solução financeira mais customizada para o cliente, já que terão acesso à sua posição financeira global. Os bancos que se adaptarem mais rápido e tiverem uma atitude mais proativa sairão na frente.

Próximos passos
Muito ainda precisa ser feito com relação ao Open Banking Standard, começando pela criação de um comitê independente para certificar quais empresas são confiáveis e podem ter acesso aos dados de uma pessoa, garantindo assim, sua segurança e privacidade.

Uma solução tecnológica para a integração dos dados deve ser lançada até o final de 2016 e a expectativa é que no início de 2017 seja possível ter a base de transações do cliente apenas no modo leitura. Já o escopo completo da norma, envolvendo instituições financeiras, clientes e dados transacionais, deve ser alcançado em 2019.

Uberização dos Bancos

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