Tendências de Fintech no Brasil em 2017

O ano de 2017 promete ser um ano importante para Fintech no Brasil. Vários negócios e tecnologias devem entrar numa fase de amadurecimento no ano que se inicia. Nos últimos 2 anos, mais de 100 startups de fintech foram criadas e em 2017 elas estarão mais maduras e aptas para ganhar tração em sua busca por clientes. Bancos médios estão cada vez mais se aventurando no mundo digital e são players que podem ganhar relevância pela capacidade de oferecerem produtos de crédito e conta corrente. Nubank terá um ano importante, de consolidação de sua posição de destaque, rumo ao projeto de se tornar um banco digital. GuiaBolso poderá se tornar a maior plataforma de crédito do país, com um conhecimento do comportamento do usuário de serviços financeiros que nenhum banco jamais conseguiu alcançar.
 
As áreas onde vejo que poderão ocorrer as maiores transformações em 2017 são:
 
. Crédito: com altos spreads e processos ineficientes, é uma área que oferece muitas oportunidades. Algumas plataformas já atuam no mercado hoje e outras serão lançadas em 2017 (nacionais e internacionais), atuando em diferentes nichos (ex: microcrédito poderá ajudar na mudança da regulamentação). 
 
. Investimentos: os players independentes seguirão ganhando força frente aos bancos, apontando para uma convergência (ainda muito distante) com os mercados maduros. A XP segue cada vez mais forte rumo ao IPO. Com isso também se fortalece a figura do consultor financeiro, isento de interesses comerciais, e, principalmente, o consultor financeiro automatizado, os chamados “robos advisors“. A Magnetis é a fintech mais bem posicionada para se apropriar desta tendência.
 
. Seguros: este é um dos segmentos que deverá sofrer as maiores transformações, por ser ineficiente, repleto de processos legados e que oferece uma experiência ao usuário muito ruim, afetando a percepção de valor do produto junto ao consumidor. Marketplaces como a Minuto Seguros vêm fazendo um trabalho brilhante, mas muito mais vem por aí em 2017, com a introdução da Internet das Coisas (IoT), e até mesmo com possíveis novos modelos de negócio, como o seguro pay per use.
 
. RegTech: atender à regulamentação no Brasil não é uma tarefa simples e usá-la corretamente menos ainda. Isto abre uma oportunidade para startups que usem Inteligência Artificial para ajudar as áreas de Compliance e Jurídica. A LegalBot é um bom exemplo de startup que deve ganhar muita tração em 2017.
 

O ano que começa agora ainda será difícil no ambiente macroeconômico. Isto impõe desafios às fintechs, porém também representa uma oportunidade única, já que será um período com menor pressão do mercado, bem propício para se testar novos produtos e aprender com os feedbacks dos usuários. Já em 2018, com o esperado aquecimento do mercado, as startups deverão estar prontas e preparadas para escalar seus negócios.