Estágios de relacionamento dos Bancos com as Startups de Fintech

Os grandes bancos estão reagindo ao movimentos das Startups de Fintech de diferentes formas. É comum eles seguirem um caminho com quatro diferentes estágios, que vão desde a rejeição ou mesmo desprezo pela capacidade das startups representarem uma ameaça aos bancos, até a fase da interação colaborativa, em que os bancos utilizam produtos e serviços de algumas startups, fazem aquisiçōes de outras e promovem eventos e programas de aceleração corporativos. Veja abaixo cada estágio em detalhes.

Estágio 1 – Rejeição
Neste estágio, os bancos costumam encarar as startups de Fintech com certo desprezo, rejeitando a ideia de que elas poderão, de alguma forma, vir a ameaçar o seu status quo, seja roubando clientes ou receitas. Consideram que elas são inovadoras porque não estão sujeitas à regulamentação ou porque são empresas muito pequenas, que ainda não possuem estruturas de controle sólidas – que por sinal serão necessárias tão logo haja uma expansão na operação.

Estágio 2 – Atenção
É o momento em que os bancos começam a se interessar pelo que as startups de fintech estão fazendo. Tentam entender por que elas encantam seus usuários e atraem a atenção da imprensa. Seus executivos começam a utilizar os produtos e serviços das startups para testar a experiência e suas marcas passam a ser citadas nas reuniōes internas.

Estágio 3 – Aproximação
Os executivos dos bancos começam a se reunir com startups, frequentar eventos de empreendedorismo e atuar como mentores. Aprofunda-se o conhecimento sobre os modelos de negócios e o mindset das startups. Os bancos começam a enxergar valor na forma como as startups desenvolvem seus produtos e serviços e operam seus negócios. O tema startups passa a ser mais assíduo nas reuniōes internas e os executivos começam a enaltecer as qualidades do modus operandi das startups, em contraposição à limitadora cultura corporativa típica dos bancos.

Estágio 4 – Interaçāo colaborativa
Aqui não há mais dúvida de que as startups ameaçam roubar clientes e receitas dos bancos. Estes passam a dedicar esforços para desenhar uma estratégia para lidar com o ecossistema de startups. Seus executivos já fazem reuniões de trabalho com startups e desenvolvem provas de conceito (POCs) em conjunto. Os bancos passam a patrocinar e promover programas de Inovação Aberta. Revêem suas políticas e práticas de tecnologia para ficarem mais aderentes ao ambiente colaborativo, com iniciativas como distribuição de APIs para uso de terceiros. Revêem também suas políticas de procurement, para facilitar a contratação de serviços de startups. E investem tempo na avaliação de aquisições de startups ou no investimento via estruturas de corporate venture capital.

Os bancos brasileiros também estão seguindo estes passos e o tempo entre os estágios vem se reduzindo. Uma característica interessante que se observa no mercado brasileiro é que, nos grandes bancos, é possível associar áreas internas a diferentes estágios dentre os quatro acima citados. Tem sido difícil identificar o estágio em que um determinado banco se encontra, pois ele possui áreas com postura de clara Rejeição, ao mesmo tempo em que outras áreas estão investindo na Interação colaborativa. Este comportamento é típico de mudanças culturais, que ocorrem lentamente nas organizações, o que se agrava ainda mais em mercados com grande concentração como o nosso.

O fato é que o mundo da inovação tem impactado todo o sistema bancário, desde os grandes bancos até os menores. E nenhum deles escapará da revolução digital.