Diferenças entre os Bancos e as startups de Fintech

Em recente artigo, o consultor David Brear (@davidbrear) buscou junto a alguns gurus do tema opiniões sobre o que de fato diferencia os Bancos das startups de Fintech. Sabemos que as associações comuns são:

– Bancos: confiança, credibilidade, segurança, solidez, burocracia, processos lentos, preços altos.

– Startups de Fintech: experiência, simplicidade, agilidade, mobile, transparência, preços baixos.

Mas vamos ver o que alguns dos especialistas no assunto disseram:

Chris Skinner, autor, fundador do The Financial Services Club:

“As startups não têm uma estrutura pré-existente a ser modificada, então eles podem criar o que quiserem. O desafio é como convencer os clientes a adotarem as mudanças. Os incumbentes possuem milhões de clientes e qualquer mudança requer tempo. A maioria, entretanto, pode demorar, porque os clientes também são lentos na mudança. Fundamentalmente, as startups e os incumbentes têm desafios muito diferentes – as primeiras têm o desafio da criação, enquanto os bancos têm o desafio da conversão.”

Brett King, autor, CEO e fundador do Moven:

“A questão é simples: inércia. As startups não têm inércia nem nos processos nem na estrutura organizacional. Já a maioria dos bancos possuem os dois em abundância.”

Jim Marous, fundador do Digital Banking Report e co-editor do The Financial Brand:

“A principal diferença está na cultura de inovação e na estrutura organizacional. Ao invés de ter silos e de ficar defendendo feudos, as startups de fintech possuem estruturas organizacionais mais horizontais e com poucas barreiras à mudança. Estas estruturas encorajam não apenas a inovação, mas a habilidade de se destruir algo e reconstruir do zero.”

Jason Bates, co-fundador do Mondo Bank:

“O mundo começou a mudar dramaticamente e os bancos estão lutando para proteger seu negócio, mudar o rumo, encontrar relevância e se adequar ao novo ambiente. As startups são nativas deste novo mundo e estão lutando para ganhar escala. Será que os bancos conseguem vencer seus legados e se mover com velocidade na busca de novos modelos de negócio de forma mais rápida que as startups alcancem escala? A infraestrutura instalada, cultura arraigada e a força de trabalho desengajada tornam este desafio muito mais difícil.”

Alex Jimenez, SVP de Digital and Payments Innovation na Rockland Trust:

“A maior diferença entre os bancos e as startups é que os primeiros focam na gestão do risco, enquanto que as startups focam na experiência dos clientes como um todo.”

Bradley Leimer, Chefe de Inovação do Santander:

“Escala e confiança são os maiores diferenciais entre os tipos de organização. Os incumbentes têm ambos e os protegem. As startups disruptoras precisam correr e se diferenciar para atingi-los. Ambos são críticos.”

Para David Brear, a diferença mais significativa entre startups de Fintech e os grandes bancos está nas pessoas. A equipe de uma startup está lá por um propósito. Eles estão juntos num mesmo trem e não são passageiros isolados sentados em seus vagões. Uma startup nasce da constatação de um problema; e as pessoas que nela trabalham compartilham de uma mesma visão, para gerar uma solução. Daí  emerge o comprometimento e o engajamento que vão criar uma energia que se transformará em valor para a empresa. Já num grande banco, os ativos (humanos ou não) acumulados ao longo dos anos adicionam pouco valor incremental. Na verdade, uma parcela significativa destes ativos podem até drenar produtividade, capacidade de inovação, entusiasmo e, consequentemente, resultado.